segunda-feira, 9 de Junho de 2008

Un petit changement...

Caros Leitores,

A partir de agora passem a consultar themoleskinewords.blogspot.com.
Obrigado.

domingo, 6 de Abril de 2008

SOUSA TAVARES, Miguel - "Rio das Flores"

SOUSA TAVARES, Miguel, Rio das Flores, 1ªEdição, Oficina do Livro - Sociedade Editorial, Cruz Quebrada, Outubro de 2007.

Um belissimo romance histórico, do autor do bestseller Equador, onde são incorporadas a veia histórica e a veia romancista, digamos que de uma forma extremamente bem concebida.
A história de Rio das Flores fala sobre a vida de uma grande a abastada família latifundiária alntejana - os Ribera Flores. Na primeira parta da narrativa, que se prolonga por 600 páginas bem estruturadas, temos as bem formuladas descrições dos membros da família: Manuel Custódio e Maria Glória, casados e com dois filhos, Diogo e Pedro. Mesmo sendo irmãos, desde cedo se notam grandes diferenças de carácter e personalidade; Diogo gostava de boa vida, sendo «aburguesado» mas nada conformista em relação a político, no tocante à do Estado Novo, fazendo assim o oposto de Diogo, homem do campo e exaltador do regime salazarista, que chega mesmo a encabeçar uma guerrilha ao lado de Franco, na guerra cívil espanhola.
Devido às suas aspirações de descoberta, Diogo tira o curso de engenharia agrónoma em Lisboa (com o objectivo de administrar futuramente a herdade da família), mas nunca chega a exercer, delegando, assim, essas funções administrativas a seu irmão Pedro.
Através das suas longas estadias em Lisboa, no luxuoso Hotel Avenida Palace, desenvolve ricas ligações a revolucionários e empresários, onde forma amigos, com quem mais tarde fundará uma empresa de importações-exportações, que originará uma mudança radical na sua vida.
Diogo casa com Amparo, filha cigana de um antigo arrendatário de Manuel Custódio, de quem tem dois filhos: Manuel (em honra do então falecido avô) e Assumpção.
Não obstante as suas responsabilidades familiares, que assumia com alguma leviandade, Diogo viaja para o Brasil (quando o alemão-judeu que geria a filial é preso pela Gestapo), e toma conta dos negócios na filial do Rio de Janeiro. Nos primeiros tempos instala-se no magnifico Hotel Copacabana Palace, onde conhece uma brasileira e por quem passa a nutrir um grande amor.
Volta a Portugal, mas a sua relação com Amparo deteriora-se; decide voltar novamente para o Brasil (desta vez com o seu filho Manuel), onde entretanto tinha adquirido uma vasta fazenda para produção de gado e que iria ser também a sua residência: a fazenda Águas Claras, que era abundantemente banhada pelo Rio das Flores. Instala-se definitavamente com o seu filho Manuel (que era na altura mais brasileiro que português), a sua nova mulher Anita e o seu enteado.
Entretanto, na herdade de Valmonte, Pedro, que parecia imune a qualquer amor, tem mesmo no final do livro, direito a uma relação com Amparo, que acaba por pedir o divórcio sob conselhos de Pedro.
A assim se encerram os destinos da família Ribera Flores, para todo o sempre...
Um sempre que se desenvolve na patética 1ªRepública, durante o Estado Novo com a vida de Salazar bem analisada, revoltas contra Getúlio Vargas (que comandava, à época, o Brasil) e uma Europa em plena 2ª Guerra Mundial.
RECOMENDO; é um livro excelente!
Saudações Literárias,
Filipe Guedes Ramos

domingo, 30 de Março de 2008

Renegado

Caros Cibernautas,

Bem sei que nos últimos tempo vos tenho ignorado, e principalmente tenho renegado o meu blog.
Mas chego a casa, nem me apetece esticar um dedo, quanto mais publicar o que quer que seja no meu rico blog...
Tenho aqui em lista de espera (que se adivinha tão longa como a do SNS português) e para publicar, os seguintes:

- rio das flores
- o sétimo selo
- enquanto salazar domia...
- (e ainda a ler) eça agora

Desculpem-me a modorra em demasia, mas não a consigo evitar...
FRamos

quinta-feira, 28 de Fevereiro de 2008

I Capítulo

I CAPÍTULO
Ramalho e Cunha
«»
Pedro e Afonso, foram desde cedo criando entre si, um gigantesco e abismal fosso de separação. Além de não serem muitos parecidos, gostavam de ser o contrário um do outro; ora se Afonso gostava de ser amigo de fulano, Pedro era amigo de beltrano; se Afonso idolatrava Pavarotti como o melhor tenor de sempre, Pedro não só odiava ópera, como era ouvinte e defensor acérrimo dos Metallica, e dava sinais de ser um pouco gótico (estilo recente em que a pessoa se vestia totalmente de preto); de gótico só tinha a roupa, pois nunca dormira em cemitérios ou coisa do género. O único facto onde coincidiam os dois, eram nos muitos SG Ventil que fumavam todos os dias, em cada quinze minutos de intervalo, no faustoso Lyceu de Camões.Afonso, (ou Afonsinho como era tratado pelas “amigas”), tinha um profundo ar de betinho de Cascais, em boa parte dado à sua predilecção por tudo o que era estrangeiro e de marca. Tinha gostos extensivamente caros, gostava da boa vida. Não obstante da educação profundamente religiosa que os avós e os pais lhe deram, Afonso era um autêntico playboy. Um playboy, na verdadeira acepção da palavra; gostava da “boa carne”, termos com os quais ele próprio caracterizava as galdérias e promíscuas raparigas que levava a dormir ao palacete. Pedro, por seu lado, era um pouco introvertido, mas adepto de uma boa “rockada” de banda de garagem. Foi nessas andanças que começou a consumir droga; primeiro as leves, fumando um charro de vez em quando, mas rapidamente passando para as pesadas como as doses cavalares de metanfetaminas que injectava brutalmente nas veias, às escondidas dos pais e do irmão. Lá dizia o ditado que «mais depressa se apanha um mentiroso que um coxo», porque certo dia, Afonso procurando pel' “Os Maias”, entra de rompante pela suite de Pedro e vê-lo naquela infame situação. Choque.
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Já passaram dois anos desde que os ricos comerciantes Ramalho e Cunha fizeram matricular os seus dois filhos, no grande e afamado Lyceu de Camões.Naquela instituição de ensino público (note-se bem), primava-se pela boa educação, com os valores que a época o mandava. Ensino público, porque Carlos teimava nas leis socialistas, em que o Estado deve proporcionar infra-estruturas aos cidadãos, tais como escolas, hospitais, estradas, entre outros. Além do mais Carlos tinha a profunda convicção que as escolas privadas só tinham tão “bom-nome”, porque as famílias que lá tinham filhos tinham um elevado estatuto social, mas cada vez mais decadentista, e nada tendo a ver com a qualidade da educação. Ele tinha laivos de filósofo, era completamente ateu, fazendo um efeito espelho com as características da mulher, que era uma beata; rezava todo o santo dia, e dava todas as noites a bênção aos filhos. Certo dia (e em boa parte para contrariar a teimosia da mulher), levou para casa um caderno rabiscado pela sua mão, onde constavam as características do melhor liceu nacional naquela altura: o Lyceu Nacional de Camões. Tinhas excelentes instalações, não obstante as magnificas qualidades do corpo docente, que davam a este Lyceu um brilho especial. Tinha dois laboratórios para práticas de Física e Química, aliadas com os excelsos equipamentos para desporto, passando pelo ginásio central, e pelo ringue de patinagem, piscina e courts de ténis. E com estes fortes argumentos, deixou de rastos os da mulher que insistia em matricular os filhos nos Salesianos. Mas lá foram para o Camões.
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Boas eram as longas tardes que os Ramalho e Cunha passavam no Algarve, e que quentes que eram as águas! Límpidas e puras, era por onde passava o Espadarte. Comprado à revelia de Alzira, mas com o entusiástico apoio dos filhos, Carlos fizera encomendar um Torpedo III novo, equipado com um fantástico motor Rolls-Royce de 85cv. Espadarte era o seu nome e vinha pintado de branco-sujo, com detalhes a madeira mogno, e media uns longos 15 metros. Tinha uma cabine onde cabiam três pessoas confortavelmente, mas se aparecesse chuva, havia decerto lugar para quatro, abrigados. Havia ainda a possibilidade de converter uma parte da proa em mesa com assentos, para desfrutar de uma simples refeição ou apenas uma cartada em família. Alzira lá teve de se habituar, e principalmente superar o terrível medo que desde pequena tinha, o medo do Mar. Como dizia Carlos (e com muita razão), um barco daquele calibre não podia de maneira nenhuma ficar parado, sem uso qualquer. E assim foi; passou a ter lugar cativo em Cabanas de Tavira (uma pequena aldeia perto de Tavira), estando sempre à vista da família, através do caríssimo apartamento que tenham mesmo em frente ao lugar do barco. Sendo assim, Carlos, a partir do seu apartamento no Golden Club de Cabanas, dava os bons dias ao barco antes de todos acordarem e no final do dia, limpava-o e encerava-o por completo, para manter o seu aspecto jovem e robusto. Carlos não era nada modesto; era rico e gostava dessa vida. Logo pelo vasto património que possuía, isso era bem visível. Neste complexo turístico, o Golden Club, havia tudo o que era preciso para passar uma temporada de férias ideais; campos para a prática das mais variadas actividades, tais como o ténis e o golfe. Um grande ginásio privativo e primeiramente exclusivo para o público masculino, mas que naquele ano havia sido alargado à possibilidade de mulheres lá andarem. Duas magnânimes piscinas com dimensões olímpicas, e três restaurantes com famosos chefs franceses e cujas cozinhas traziam ao mundo esquisitas comidas, que Alzira detestava e blasfemava dizendo que o seu cozidinho à portuguesa era bem melhor. Mas fora do complexo, voltava-se novamente ao Portugal rural, com uma aldeia pequena e com um único café (ou taberna), como Carlos caracterizava aquilo.

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Afonso, mais do que Pedro, delirava com todo aquele luxo e ostentação. Delirava com as praias do Algarve, com as miúdas em bikini (algumas escandalizando, e fazendo top-less), com as corridas de barco que faziam com os amigos de Cascais ali também de férias, as quais eram galantemente personificadas pelo veloz Espadarte…tudo. Mas os dois irmãos viviam o Algarve de maneiras completamente diferentes. Pedro era mais solitário, e gostava de viver o Algarve à sua maneira; não só pela praia, mas pelas ricas e bonitas paisagens em bruto e inexploradas que lhe proporcionavam um agradável bem-estar e uma espantosa tranquilidade. Afonso, por sua vez, era frequentador assíduo do ginásio, o que lhe dava um aspecto musculado e esbelto, andando sempre como um galo, com a peitaça para a frente. Mas ambos viviam intensas paixões com as serviçais algarvias do Golden; “devaneios passionais” era como Carlos e Alzira apelidavam aquelas vidas e aventuras noctívagas dos seus dois filhos. Assim foram classificadas todas as relações, até ao dia em que Afonso e Pedro apresentaram cada um, respectivamente, as suas companhias nocturnas. Eram duas algarvias (notava-se bem pelo acentuado sotaque), que tinham um ar do que eram: autênticas campónias com sonhos de se tornarem ricas e perfumadas, e puderem esquecerem aquele passado pesado de trabalho no Golden Club, onde eram camareiras. O certo é que, contra todas as expectativas dos pais Ramalho e Cunha, os filhos e as namoradas saloias criaram laços fortes entre si. Ninguém no mundo, pelos menos naquela altura, os conseguiria separar. Não pela extrema riqueza dos Ramalho e Cunha, mas pelos fortes laços de amor e cumplicidade que os uniam. E assim foi: com o devido assentimento dos pais de cada uma (e de cada um…), vieram ambas as camponesas viver para Lisboa, a capital do país. Que deslumbramento para elas!, aquele palacete quase imperial dos Ramalho e Cunha, na zona de Benfica. Um sonho realizado, pensavam elas, sentadas no Mercedes, durante a fastidiosa viagem para Lisboa, quando já se avistava uma ponte. - Querido, que é aquilo? – perguntara Carolina a Afonso.
- É a Ponte 25 de Abril, antiga Salazar, mandada erguer por ele mesmo.
(brevemente chega mais...)

sábado, 16 de Fevereiro de 2008

ALEGRE, Manuel - "Cão Como Nós"

Caros Leitores;




Neste livro de Manuel Alegre (que diga-se de passagem, é lido num abrir e fechar de olhos), é-nos descrito um rol de peripécias, emoções e vivências que ele e a sua família tiveram, juntamente com o seu cão. Um cão que não queria ser cão. Um cão que queria ser como nós.
São-nos descritas as relações do cão com cada membro da família, desde a nascença até à sua morte. Um livro com que, quem já teve ou tem cães, se identifica. Um livro onde são mostradas as alegrias, felicidades mas também arrelias em ter um cão. Um livro inteiramente dedicado a este cão, Kurika, mas de certa forma, dedicado a todos os cães.
Mascarado na rica linguagem de MA, o livro apresenta-nos comparações e analogias entre a maneira de ser dos cães e dos homens. Descrições do cão, que quase sempre se encaixam na descrição de um humano.
Um cão que de tanto não querer ser cão, para não sê-lo.
Indescritível na sua totalidade, para o poderem apreciar na totalidade, leiam-no. É pequeno e tem uma escrita fabulosa.
RECOMENDO, sem dúvida nenhuma esta obra.
Filipe Guedes Ramos

TAVARES RODRIGUES, Urbano - "O Eterno Efémero"

Caros Leitores;



Sete, é o número de pessoas envolvidas num crime de repleto de mistério. Quatro das quais mulheres, com muito em comum: todas engenheiras e...tristes e infelizes com a sua vida. Decidem-se aventurar pelos meandros da internet, procurando aventuras e talvez "novas" vidas...
Dois homens devassos, [Miguel Ruiz Fernandes, o Sto. Miguel Arcanjo, homem com posses, convencido e arrogante, de uma mente completamente conspurcada e Leopoldo Fialho (de Santa Clara Côrte-Real) um agrário milionário residente no Alentejo] sedentos de prazeres sexuais, aventuras...

E para terminar em beleza: um inspector da judiciária, Inácio Moura Prata, com uns quantos problemas existencialistas.

"Rituais, ou lá o que lhes chamam...Uma bacanal!"
Todas as semanas haviam rituais, ums melhores outros piores. Rituais sexuais, cheios de sensualidade, mas também de sexo duro e violento. Contam-se torturas, prazeres...
"Mas ardíamos na mesma fogueira de desejo, banhávamo-nos na mesma água sedosa de sensações novas, rodávamos na mesma valsa interminável de sorrisos e beijos, submissos a todos os venenos da Lua."
Até que certo dia, devido ao carácter possessivo e dominante de Miguel, algo corre mal e...morre.
Quem o terá morto? Como? Em que circunstância?
Uma trama bem desenvolvida através da rica e plástica escrita de Urbano Tavares Rodrigues.

RECOMENDO a obra.
Filipe G. Ramos

ZAMBUJAL, Mário - "À Noite Logo Se Vê"

Caros Leitores,



"Abomino comparações, em especial quando receio não cobrir a parada: aqueles podiam aguentar a noite toda em trinta e três rotações".

Neste livro de Mário Zambujal, temos uma história principal, onde se desenvolve um mistério de uma aldeia, tendo inúmeras outras histórias, colocadas em encaixe na narrativa principal, mas todas têm em comum a nomeação de Roseiral, uma cidade onde se passa o mistério da narrativa principal.
Existem duas personagens que aparecem e influenciam toda a história, e são eles:
- Guilhermino João Ukkonen Miralva, de pai cigano e mãe finlandesa, que é aqui na história, o investigador do grande mistério de Roseiral.
- Cê Agá (que no fim da narrativa se vem a saber que é César Hilário), um jovem de Roseiral que emigrou para os EUA, em virtude de conseguir vingar e vencer na vida, tendo enriquecido.
Nas andanças de Guilhermino, investigador so sobrenatural, ele vai procurando explicações para o mistério. São contadas em encaixe: a história de Mino (mais propriamente a sua vida amorosa), homem de sete ofícios e incompreendido pela cara-metade; a ascensão de um taxista a homem de negócios, dono de um império empresarial; a estratégia de Quinzinho Pontual para matar (na verdadeira acepção da palavra), o tempo; a odisseia do boxeur gordo em vésperas de combate; o repórter de desastres Cacildo Tavares e o inexplicável (mas não tanto...) mistério de Roseiral.

Recomendo a obra.

Filipe G. Ramos

ESTEVES CARDOSO, Miguel - "Os Meus Problemas"

Caros Leitores,

Este é um livro de crónicas, pelo que acho mais proveito analisar apenas duas...



- O Factor SPAC
Esta crónica faz pensar, rir, reflectir...Miguel Esteves Cardoso faz uma dissertação sobre o factor SPAC (que é o factor do Salta-para-cueca).
Segundo MEC, uma amizade entre homem e mulher, sem que o homem queira SPAC (da mulher) é...impossível.
Faz parte da condição humana, é intrinseco; mas ainda assim MEC aventura-se concebendo que essa amizade (entre sexos opostos) é possível, mas...apenas em teoria.

- Os Amigos e os Amigalhaços
Começemos pelo "mote" desta crónica « Não podemos ser amigos de toda a gente ». Conhecidos, muitos (ou quase todos), mas amigos...só alguns. MEC diz-nos que a amizade se refina com o tempo. A amizade tem a ver com a energia emocional e o tempo, que cada um de nós tem para dispender com os outros. Sem longas e variadas conversas, sem tempo para se ouvir e falar, é impossível ser-se amigo de alguém. MEC refere também que "Os amigos são a família que escolhemos", e por os termos escolhidos, temos a obrigação de os preservar.

Recomendo vivamente a obra, para quem goste de boas doses de sarcásmo e da ironia sempre habitual em MEC, que só nos fazem rir, mas também nos fazem pensar no que lemos.

Filipe Guedes Ramos

quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2008

Pestilência

Já não posso com esta gente; a sério.
Fiquem escandalizados se quiserem: tanta hipócrisia, tanta falsa beatitude...chega.
Raio de pestilência que este ano reina sob os meus ares...

segunda-feira, 14 de Janeiro de 2008

AMADO, Jorge - O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá

AMADO, Jorge – O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá (uma história de amor), 5ª Edição, Lisboa, Dom Quixote, Setembro de 2002


Jorge Amado, com uma linguagem clara, dá uma mágica a este livro com um "interior" magnífico.
Este livro é uma história de Jorge Amado, escrita para seu filho João Jorge, quando este ainda tinha 1 ano. Contrariando todas as ilações que se possam tirar do título, é uma história com base infantil, mas escrutinando o seu conteúdo atentamente, conseguimos distinguir afiadas golpadas à sociedade actual e aos valores morais já não utilizados pelo Homem. Está também presente em toda a narrativa, uma feroz crítica ao preconceito; à não marginalização.

Numa floresta muito distante, à muitos anos atrás, havia muitos animais, mas distinguia-se um gato, pardo e muito feio, mau e vingativo, mas que odiava a hipocrisia. Passava o dia a preguiçar, deitado ao Sol, dormindo toda a hora. Todos o temiam e receavam falar-lhe, devido ao seu comportamento malévolo. Nem mesmo o acto heróico do gato ao ter afastado a cobra-cascavel do meio da floresta, fazia os seus habitantes mudarem de ideias em relação a ele.
Tudo muda quando, certo dia, o gato Malhado conhece a bela e jovem andorinha Sinhá. Fica aprisionado à sua imagem esbelta, e cai em paixões por aqueles doce andorinha, que apesar de o chamar de "feioso", ele sabia-o que era carinhosamente que ela o fazia.
Primavera e Verão, passaram-nos juntos, "namoriscando" e conhecendo-se cada vez mais. Sinhá e Malhado caiem de amores um pelo outro. Gato Malhado pensava em casar com Sinhá, contra as ordens dos pais dela e contra a opinião de toda a floresta, "Que se danem!".
Mas misteriosamente Sinhá desaparece durante todo o Outono e Inverno, o que leva ao gato Malhado, tornar-se novamente num ser rude e amargurado.
De repente, chega a notícia de que os pais da andorinha Sinhá haviam acordado o casamento dela com o galante Rouxinol. Malhado fica devastado, sem reacção e sem vontade alguma de viver. Tanta tristeza junta, só fizeram com que o gato, cada vez mais ostracizado pela floresta (devido às suas loucas ideias de casamento com Sinhá, se torna-se ainda pior do que já era.
Chegado o dia do casamento com Sinhá, o gato Malhado, chorando a fio, recolhe ao seu trapo e decide por fim ao seu sofrimento, indo até ao covil da cobra-cascavel, onde se crê que tenha sido deglutido em pouco tempo.

Recomendo a obra.

Saudações Literárias,
FGRamos