segunda-feira, 9 de Junho de 2008
domingo, 6 de Abril de 2008
SOUSA TAVARES, Miguel - "Rio das Flores"
domingo, 30 de Março de 2008
Renegado
quinta-feira, 28 de Fevereiro de 2008
I Capítulo
Já passaram dois anos desde que os ricos comerciantes Ramalho e Cunha fizeram matricular os seus dois filhos, no grande e afamado Lyceu de Camões.Naquela instituição de ensino público (note-se bem), primava-se pela boa educação, com os valores que a época o mandava. Ensino público, porque Carlos teimava nas leis socialistas, em que o Estado deve proporcionar infra-estruturas aos cidadãos, tais como escolas, hospitais, estradas, entre outros. Além do mais Carlos tinha a profunda convicção que as escolas privadas só tinham tão “bom-nome”, porque as famílias que lá tinham filhos tinham um elevado estatuto social, mas cada vez mais decadentista, e nada tendo a ver com a qualidade da educação. Ele tinha laivos de filósofo, era completamente ateu, fazendo um efeito espelho com as características da mulher, que era uma beata; rezava todo o santo dia, e dava todas as noites a bênção aos filhos. Certo dia (e em boa parte para contrariar a teimosia da mulher), levou para casa um caderno rabiscado pela sua mão, onde constavam as características do melhor liceu nacional naquela altura: o Lyceu Nacional de Camões. Tinhas excelentes instalações, não obstante as magnificas qualidades do corpo docente, que davam a este Lyceu um brilho especial. Tinha dois laboratórios para práticas de Física e Química, aliadas com os excelsos equipamentos para desporto, passando pelo ginásio central, e pelo ringue de patinagem, piscina e courts de ténis. E com estes fortes argumentos, deixou de rastos os da mulher que insistia em matricular os filhos nos Salesianos. Mas lá foram para o Camões.
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Afonso, mais do que Pedro, delirava com todo aquele luxo e ostentação. Delirava com as praias do Algarve, com as miúdas em bikini (algumas escandalizando, e fazendo top-less), com as corridas de barco que faziam com os amigos de Cascais ali também de férias, as quais eram galantemente personificadas pelo veloz Espadarte…tudo. Mas os dois irmãos viviam o Algarve de maneiras completamente diferentes. Pedro era mais solitário, e gostava de viver o Algarve à sua maneira; não só pela praia, mas pelas ricas e bonitas paisagens em bruto e inexploradas que lhe proporcionavam um agradável bem-estar e uma espantosa tranquilidade. Afonso, por sua vez, era frequentador assíduo do ginásio, o que lhe dava um aspecto musculado e esbelto, andando sempre como um galo, com a peitaça para a frente. Mas ambos viviam intensas paixões com as serviçais algarvias do Golden; “devaneios passionais” era como Carlos e Alzira apelidavam aquelas vidas e aventuras noctívagas dos seus dois filhos. Assim foram classificadas todas as relações, até ao dia em que Afonso e Pedro apresentaram cada um, respectivamente, as suas companhias nocturnas. Eram duas algarvias (notava-se bem pelo acentuado sotaque), que tinham um ar do que eram: autênticas campónias com sonhos de se tornarem ricas e perfumadas, e puderem esquecerem aquele passado pesado de trabalho no Golden Club, onde eram camareiras. O certo é que, contra todas as expectativas dos pais Ramalho e Cunha, os filhos e as namoradas saloias criaram laços fortes entre si. Ninguém no mundo, pelos menos naquela altura, os conseguiria separar. Não pela extrema riqueza dos Ramalho e Cunha, mas pelos fortes laços de amor e cumplicidade que os uniam. E assim foi: com o devido assentimento dos pais de cada uma (e de cada um…), vieram ambas as camponesas viver para Lisboa, a capital do país. Que deslumbramento para elas!, aquele palacete quase imperial dos Ramalho e Cunha, na zona de Benfica. Um sonho realizado, pensavam elas, sentadas no Mercedes, durante a fastidiosa viagem para Lisboa, quando já se avistava uma ponte. - Querido, que é aquilo? – perguntara Carolina a Afonso.
- É a Ponte 25 de Abril, antiga Salazar, mandada erguer por ele mesmo.
sábado, 16 de Fevereiro de 2008
ALEGRE, Manuel - "Cão Como Nós"
Neste livro de Manuel Alegre (que diga-se de passagem, é lido num abrir e fechar de olhos), é-nos descrito um rol de peripécias, emoções e vivências que ele e a sua família tiveram, juntamente com o seu cão. Um cão que não queria ser cão. Um cão que queria ser como nós.
São-nos descritas as relações do cão com cada membro da família, desde a nascença até à sua morte. Um livro com que, quem já teve ou tem cães, se identifica. Um livro onde são mostradas as alegrias, felicidades mas também arrelias em ter um cão. Um livro inteiramente dedicado a este cão, Kurika, mas de certa forma, dedicado a todos os cães.
Mascarado na rica linguagem de MA, o livro apresenta-nos comparações e analogias entre a maneira de ser dos cães e dos homens. Descrições do cão, que quase sempre se encaixam na descrição de um humano.
Indescritível na sua totalidade, para o poderem apreciar na totalidade, leiam-no. É pequeno e tem uma escrita fabulosa.
TAVARES RODRIGUES, Urbano - "O Eterno Efémero"
Sete, é o número de pessoas envolvidas num crime de repleto de mistério. Quatro das quais mulheres, com muito em comum: todas engenheiras e...tristes e infelizes com a sua vida. Decidem-se aventurar pelos meandros da internet, procurando aventuras e talvez "novas" vidas...
Dois homens devassos, [Miguel Ruiz Fernandes, o Sto. Miguel Arcanjo, homem com posses, convencido e arrogante, de uma mente completamente conspurcada e Leopoldo Fialho (de Santa Clara Côrte-Real) um agrário milionário residente no Alentejo] sedentos de prazeres sexuais, aventuras...
E para terminar em beleza: um inspector da judiciária, Inácio Moura Prata, com uns quantos problemas existencialistas.
"Rituais, ou lá o que lhes chamam...Uma bacanal!"
Todas as semanas haviam rituais, ums melhores outros piores. Rituais sexuais, cheios de sensualidade, mas também de sexo duro e violento. Contam-se torturas, prazeres...
"Mas ardíamos na mesma fogueira de desejo, banhávamo-nos na mesma água sedosa de sensações novas, rodávamos na mesma valsa interminável de sorrisos e beijos, submissos a todos os venenos da Lua."
Até que certo dia, devido ao carácter possessivo e dominante de Miguel, algo corre mal e...morre.
Quem o terá morto? Como? Em que circunstância?
Uma trama bem desenvolvida através da rica e plástica escrita de Urbano Tavares Rodrigues.
ZAMBUJAL, Mário - "À Noite Logo Se Vê"
Caros Leitores,
"Abomino comparações, em especial quando receio não cobrir a parada: aqueles podiam aguentar a noite toda em trinta e três rotações".
Neste livro de Mário Zambujal, temos uma história principal, onde se desenvolve um mistério de uma aldeia, tendo inúmeras outras histórias, colocadas em encaixe na narrativa principal, mas todas têm em comum a nomeação de Roseiral, uma cidade onde se passa o mistério da narrativa principal.
Existem duas personagens que aparecem e influenciam toda a história, e são eles:
- Guilhermino João Ukkonen Miralva, de pai cigano e mãe finlandesa, que é aqui na história, o investigador do grande mistério de Roseiral.
- Cê Agá (que no fim da narrativa se vem a saber que é César Hilário), um jovem de Roseiral que emigrou para os EUA, em virtude de conseguir vingar e vencer na vida, tendo enriquecido.
Nas andanças de Guilhermino, investigador so sobrenatural, ele vai procurando explicações para o mistério. São contadas em encaixe: a história de Mino (mais propriamente a sua vida amorosa), homem de sete ofícios e incompreendido pela cara-metade; a ascensão de um taxista a homem de negócios, dono de um império empresarial; a estratégia de Quinzinho Pontual para matar (na verdadeira acepção da palavra), o tempo; a odisseia do boxeur gordo em vésperas de combate; o repórter de desastres Cacildo Tavares e o inexplicável (mas não tanto...) mistério de Roseiral.
Recomendo a obra.
Filipe G. Ramos
ESTEVES CARDOSO, Miguel - "Os Meus Problemas"
Este é um livro de crónicas, pelo que acho mais proveito analisar apenas duas...
- O Factor SPAC
Esta crónica faz pensar, rir, reflectir...Miguel Esteves Cardoso faz uma dissertação sobre o factor SPAC (que é o factor do Salta-para-cueca).
Segundo MEC, uma amizade entre homem e mulher, sem que o homem queira SPAC (da mulher) é...impossível.
Faz parte da condição humana, é intrinseco; mas ainda assim MEC aventura-se concebendo que essa amizade (entre sexos opostos) é possível, mas...apenas em teoria.
- Os Amigos e os Amigalhaços
Começemos pelo "mote" desta crónica « Não podemos ser amigos de toda a gente ». Conhecidos, muitos (ou quase todos), mas amigos...só alguns. MEC diz-nos que a amizade se refina com o tempo. A amizade tem a ver com a energia emocional e o tempo, que cada um de nós tem para dispender com os outros. Sem longas e variadas conversas, sem tempo para se ouvir e falar, é impossível ser-se amigo de alguém. MEC refere também que "Os amigos são a família que escolhemos", e por os termos escolhidos, temos a obrigação de os preservar.
Recomendo vivamente a obra, para quem goste de boas doses de sarcásmo e da ironia sempre habitual em MEC, que só nos fazem rir, mas também nos fazem pensar no que lemos.
Filipe Guedes Ramos
quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2008
Pestilência
Fiquem escandalizados se quiserem: tanta hipócrisia, tanta falsa beatitude...chega.
Raio de pestilência que este ano reina sob os meus ares...
segunda-feira, 14 de Janeiro de 2008
AMADO, Jorge - O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá
Jorge Amado, com uma linguagem clara, dá uma mágica a este livro com um "interior" magnífico.
Este livro é uma história de Jorge Amado, escrita para seu filho João Jorge, quando este ainda tinha 1 ano. Contrariando todas as ilações que se possam tirar do título, é uma história com base infantil, mas escrutinando o seu conteúdo atentamente, conseguimos distinguir afiadas golpadas à sociedade actual e aos valores morais já não utilizados pelo Homem. Está também presente em toda a narrativa, uma feroz crítica ao preconceito; à não marginalização.
Numa floresta muito distante, à muitos anos atrás, havia muitos animais, mas distinguia-se um gato, pardo e muito feio, mau e vingativo, mas que odiava a hipocrisia. Passava o dia a preguiçar, deitado ao Sol, dormindo toda a hora. Todos o temiam e receavam falar-lhe, devido ao seu comportamento malévolo. Nem mesmo o acto heróico do gato ao ter afastado a cobra-cascavel do meio da floresta, fazia os seus habitantes mudarem de ideias em relação a ele.
Tudo muda quando, certo dia, o gato Malhado conhece a bela e jovem andorinha Sinhá. Fica aprisionado à sua imagem esbelta, e cai em paixões por aqueles doce andorinha, que apesar de o chamar de "feioso", ele sabia-o que era carinhosamente que ela o fazia.
Primavera e Verão, passaram-nos juntos, "namoriscando" e conhecendo-se cada vez mais. Sinhá e Malhado caiem de amores um pelo outro. Gato Malhado pensava em casar com Sinhá, contra as ordens dos pais dela e contra a opinião de toda a floresta, "Que se danem!".
Mas misteriosamente Sinhá desaparece durante todo o Outono e Inverno, o que leva ao gato Malhado, tornar-se novamente num ser rude e amargurado.
De repente, chega a notícia de que os pais da andorinha Sinhá haviam acordado o casamento dela com o galante Rouxinol. Malhado fica devastado, sem reacção e sem vontade alguma de viver. Tanta tristeza junta, só fizeram com que o gato, cada vez mais ostracizado pela floresta (devido às suas loucas ideias de casamento com Sinhá, se torna-se ainda pior do que já era.
Chegado o dia do casamento com Sinhá, o gato Malhado, chorando a fio, recolhe ao seu trapo e decide por fim ao seu sofrimento, indo até ao covil da cobra-cascavel, onde se crê que tenha sido deglutido em pouco tempo.
Recomendo a obra.
Saudações Literárias,
FGRamos




