O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
A idéia deste blog é proporcionar um espaço de convergência entre Linguística e Literatura e suas múltiplas linguagens. Este é o motivo do nome Línguas e Literaturas. Entende-se que os estudos da língua/linguagem são inúmeros, variados e diferentes. O mesmo pode-se dizer da Literatura, com adendo de que esta é multi em si mesma, visto não existir apenas uma espécie de linguagem literária. E o que estas áreas do conhecimento têm de comum é que ambas possuem a própria linguagem, ou metalinguagem.
sábado, 16 de abril de 2011
Autopsicografia, Fernando Pessoa
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Considero este poema a perfeita apresentação do que é ser e fazer poesia.
ResponderExcluirPerfeito Ellenzinha!
ResponderExcluirO que achas deste...
Versos
Versos! Versos! Sei lá o que são versos...
Pedaços de sorriso, branca espuma,
Gargalhadas de luz, cantos dispersos,
Ou pétalas que caem uma a uma...
Versos!... Sei lá! Um verso é o teu olhar,
Um verso é teu sorriso e os de Dante
Eram o seu amor a soluçar
Aos pés da sua estremecida amante!
Meus versos!... Sei eu lá também que são...
Sei lá! Sei lá!... Meu pobre coração
Partido em mil pedaços são talvez...
Versos! Versos! Sei lá o que são versos...
Meus soluços de dor que andam dispersos
Por este grande amor em que não crês!...
(Florbela Espanca)
Amei!
Toda a poesia de Florbela Espanca é espetacular!
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