sábado, 16 de abril de 2011

Autopsicografia, Fernando Pessoa

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

3 comentários:

  1. Considero este poema a perfeita apresentação do que é ser e fazer poesia.

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  2. Perfeito Ellenzinha!
    O que achas deste...

    Versos
    Versos! Versos! Sei lá o que são versos...
    Pedaços de sorriso, branca espuma,
    Gargalhadas de luz, cantos dispersos,
    Ou pétalas que caem uma a uma...

    Versos!... Sei lá! Um verso é o teu olhar,
    Um verso é teu sorriso e os de Dante
    Eram o seu amor a soluçar
    Aos pés da sua estremecida amante!

    Meus versos!... Sei eu lá também que são...
    Sei lá! Sei lá!... Meu pobre coração
    Partido em mil pedaços são talvez...

    Versos! Versos! Sei lá o que são versos...
    Meus soluços de dor que andam dispersos
    Por este grande amor em que não crês!...
    (Florbela Espanca)

    Amei!

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  3. Toda a poesia de Florbela Espanca é espetacular!

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